Fragmentos de louça com história
Durante as obras de duplicação da rodovia BR-153, que liga Jacarezinho a Santo Antônio da Platina, foram descobertos diversos fragmentos de louças, vidros e porcelanas que datam de quase 200 anos. Esses achados arqueológicos oferecem uma incrível janela para o passado, revelando informações sobre a vida e as relações sociais das populações que habitaram a região.
Os sítios arqueológicos descobertos
Até o momento, cinco sítios arqueológicos foram identificados ao longo do trecho em obras. Os fragmentos foram encontrados em quatro destes sítios, localizados nos quilômetros 7, 22 e 23. Os arqueólogos estão empenhados em estudar e preservar essas descobertas, que assistem ao registro da história local de maneira palpável e tangível.
O papel do Iphan nas escavações
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desempenha um papel fundamental no monitoramento das escavações. Após uma avaliação, o Iphan classificou essa área como um sítio arqueológico de nível 3, o que significa que um acompanhamento contínuo durante todo o processo de duplicação é obrigatório. A concessão de licença para as obras incluiu a condição de monitoramento arqueológico, sendo esse trabalho uma prioridade.

Conhecendo a história do café no Paraná
Entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX, a cultura do café explodiu na região norte do Paraná, extremamente influenciada por caféicultores paulistas que migraram em busca de terras férteis. Os achados arqueológicos encontrados nas proximidades da BR-153 indicam a possível passagem de viajantes e charretes que se dirigiam para as fazendas ao longo dessa rota, marcada pela história do cultivo cafeeiro.
Por que as louças são relevantes?
As louças e vidros encontrados não são apenas fragmentos comuns; cada peça conta uma história e fornece pistas sobre a vida cotidiana das pessoas que viveram ali. Com essas peças, os arqueólogos podem deduzir, por exemplo, os hábitos alimentares, as relações sociais e até mesmo as interações econômicas da época.
O trabalho dos arqueólogos na rodovia
Os arqueólogos estão em campo realizando não apenas a retirada dos fragmentos, mas também suas análises e catalogação. Eles buscam entender completamente o contexto em que esses objetos foram encontrados e como eles se encaixam na narrativa histórica da região. A equipe de arqueologia supervisiona os locais das escavações para garantir a recuperação adequada de cada artefato.
Grafismos antigos em pedra encontrados
Além dos fragmentos de louça, os arqueólogos descobriram grafismos em pedra em um dos sítios, conhecido como Pedra Criminosa, localizada às margens da rodovia. Esses grafismos são de grande interesse e estão sendo submetidos a uma análise detalhada, que poderá oferecer mais informações sobre as interações culturais e o contexto dos povos antigos que passaram pela região.
A análise das peças coletadas
Após o processo de escavação, as peças encontradas serão levadas para a Universidade Estadual de Maringá (UEM), onde passarão por triagem e limpeza. O estudo dessas peças permitirá que pesquisadores determinem não só a época em que foram utilizadas, mas também como a ocupação humana se deu na área, trazendo novas perspectivas sobre a história local.
Impacto da duplicação na preservação histórica
Embora os achados arqueológicos sejam significativos, as obras de duplicação da rodovia não foram paralisadas. A concessionária responsável, EPR Litoral Pioneiro, assegurou que as atividades de resgate arqueológico estariam bem integradas ao andamento da duplicação. Com isso, é possível preservar a história sem comprometer a modernização da infraestrutura da região.
O futuro dos achados arqueológicos
As peças coletadas não só contribuirão para enriquecer o conhecimento sobre a história local, mas também estarão sob proteção e continuidade de estudos. Após a análise inicial, as informações serão registradas e as melhores práticas de preservação serão implementadas a fim de assegurar que esses achados continuem a contar sua história por meio do tempo.


