UENP recebe evento sobre educação antirracista no Campus Jacarezinho

O Evento e Sua Relevância

No contexto atual, em que práticas antirracistas estão em evidência, a Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) organizou nos dias 13 e 14 de maio, um evento de vital importância intitulado “Por uma educação antirracista: que fazer?”. Este evento ocorreu no Centro de Ciências Humanas e da Educação (CCHE), no Campus Jacarezinho, e teve como objetivo promover um diálogo enriquecedor sobre o papel das instituições educacionais na luta contra o racismo e na promoção de uma sociedade mais inclusiva.

A eleição desse tema é particularmente pertinente, considerando os desafios ainda enfrentados pela população negra no Brasil. Com a participação de estudantes, docentes, pesquisadores e membros da comunidade, o evento se propôs a ser um espaço de reflexão e debate sobre a valorização da cultura afro-brasileira e as práticas antirracistas dentro do ambiente acadêmico.

Cortejo Batucada da Resistência

A abertura do evento foi marcada pelo vibrante Cortejo Batucada da Resistência, que teve início na Praça do Ágora e percorreu até o auditório PDE. Essa manifestação cultural trouxe elementos de expressão comunitária, unindo os participantes em um momento significativo e simbólico. Através da performance, buscou-se não apenas celebrar a cultura negra, mas também criar um espaço de resistência e diálogos sobre a identidade negra na contemporaneidade.

educação antirracista

Mesa-redonda Sobre Antirracismo

Após o cortejo, a programação continuou com uma mesa-redonda que abordava “A presença do negro no Paraná e o antirracismo na universidade”, com a presença de figuras importantes como Adegmar José da Silva (Mestre Kandieiro), Géssica Nunes Guarani e Baba Dejair Dionísio. A discussão foi enriquecedora, abordando diversas questões históricas e culturais pertinentes à população negra no Brasil, especialmente em ressonância com o Dia da Abolição da Escravatura, comemorado em 13 de maio.

Os participantes compartilharam experiências e refletiram sobre os desafios que ainda persistem no combate ao racismo, além de discutir o papel da educação para transformar essas realidades. O evento promoveu uma atmosfera de aprendizado mútuo, essencial para a construção de um futuro mais equitativo.

A Importância da Educação Étnico-racial

Mateus Luiz Biancon, chefe de Gabinete da UENP, ressaltou a importância de se incluir práticas de formação cidadã nas instituições. Ele mencionou que, apesar dos avanços como a introdução das disciplinas de Gênero e Sexualidade e Educação Étnico-racial no curso de Ciências Biológicas, essas ações devem ser expandidas para outros cursos e áreas de ensino. Esta ponte entre a academia e a sociedade deve ser reforçada para garantir que a educação seja realmente antirracista.

Reflexões de Mestres e Educadores

Durante o evento, Mestre Kandieiro fez uma abordagem sobre a resistência ao racismo, enfatizando a relevância de manter viva essa luta. Ele lembrou que a data também serve como um momento de denúncia e reflexão: “Não dá para fugir do tema. É um dia nacional de denúncia contra o racismo, mas também uma oportunidade para reconhecer as contribuições dos negros no desenvolvimento do Brasil”. Suas palavras tocaram os participantes, reforçando a necessidade contínua de luta contra a discriminação.

Exposição ‘Visualidades Negras’

Um dos momentos mais impactantes do evento foi a exposição fotográfica intitulada “Visualidades Negras”, apresentada pelo artista Tiago Angelo. A exposição trouxe à tona uma nova perspectiva sobre as identidades e expressões da população negra, por meio de um olhar sensível que provocou reflexões profundas nos visitantes. A arte, como forma de resistência e expressão cultural, se revelou fundamental para o contexto do evento, enriquecendo ainda mais as discussões.

Oficina Cultural na Praça do Ágora

No segundo dia do evento, as atividades foram realizadas na Praça do Ágora, proporcionando uma experiência prática e comunitária. Uma oficina conduzida pelo Mestre Kandieiro envolveu estudantes, docentes e membros da comunidade em atividades culturais que incluíram música, dança e poesia. Essa experiência serviu para demonstrar a riqueza cultural da população negra e a importância de suas tradições no contexto educacional.

Diálogos sobre Identidades Negras

A programação também incluiu uma mesa de diálogos com a presença da professora e escritora Jéssica Nunes Guarani, do professor Dejair Dionísio e do poeta e capoeirista Mestre Kandieiro. Com a mediação de Cleiton Ferraz Souza, o espaço foi dedicado à troca de experiências e saberes, promovendo a valorização das identidades negras e seus impactos na sociedade. Esses diálogos foram fundamentais para ampliar a visão dos participantes sobre o papel da educação na promoção da justiça social e igualdade racial.

Compromisso da UENP com a Inclusão

Em suma, o evento enfatizou o compromisso da UENP com uma educação crítica e inclusiva, essencial para construir uma universidade que reflita a diversidade da sociedade contemporânea. A inclusão de diálogos sobre raça e diversidade nos currículos é uma estratégia fundamental para fomentar um ambiente acadêmico mais saudável e respeitoso.

Práticas Educativas para Diversidade

Para que os avanços sejam sustentáveis, é necessário que as instituições de ensino façam do antirracismo um valor central de suas práticas educativas. O fortalecimento de ações voltadas à promover diversidade e inclusão, aliadas a uma educação crítica, são passos essenciais para a construção de uma sociedade mais igualitária. Assim, a UENP se posiciona como referência na discussão e implementação de práticas que tangenciam esses conceitos em todos os seus níveis.

O evento realizado em Jacarezinho não apenas celebrou a cultura afro-brasileira, mas também lançou luz sobre a necessidade contínua de luta contra o racismo em suas diversas formas, consolidando a educação como um pilar fundamental nesse processo.

Deixe um comentário